Nascente

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Ao deixar de beber da água, perceberás a sede…  

Às vezes precisamos nos distanciar de tudo.

É de longe que temos uma dimensão melhor das coisas…

A floresta não se é percebida olhando apenas uma árvore.

Depois é preciso saber voltar para o núcleo,

Procurar a nascente límpida e protegida,

E beber dela novamente… 

Pois, é na imensidão também que nos perdemos.

Não precisamos de raízes para ficar, 

precisamos é da nascente para sempre retornar… 

É da nascente que traçamos o curso do rio. 


 

Ó Menina!

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Nem todo  brilho se apagara

Nem todo som se silenciara

Nem todo choro se acalmava

Mas, vinha de tanta correria

Ó menina!

Chega de mentira

Fica porque me amas

Esquece o que te chamas

Essa liberdade repentina que desejas

Será sua solitária por anos…

É isso que realmente queres?

Queres ser como uma brisa?

Vazia, invisível e momentânea?

Traga-me suas lembranças,

Vamos guardá-las numa caixinha de papel 

Vamos fazer novas memórias, juntos…

Dê-me sua mão, ó menina

Deixe-me guiar teu coração…

Vai, Bailarina

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Vestida de fada desceu no vale…

Girando entre as árvores

Brincando com os vaga-lumes

Que brilham e iluminam seus passos…

Sempre tão firmes e tão precisos…

Nem a brisa do outono derruba suas pétalas…

Serenamente dança e gira…

E este luar que te contagia…

Menina linda, gira, gira…

Gira mostrando sua face…

Ah, este olhar que mira…

Mira as estrelas… e elas te guiam

Num caminhar tão livre…

Num dançar tão sereno…

Vai, bailarina!

Abraça as árvores em seu rodopio…

Mas, fique longe da encosta…

Do mar revolto, que te quer pra ele…

Não vire sereia…

Fique aqui na floresta

Bailando neste chão em festa!

Sonho

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Era um sonho…

Você deslizava suavemente seus dedos em meus olhos que sonhavam com você.

Pareciam brilhar, mesmo que fechados…

Senti o leve toque nos meus cílios, e delicadamente eu acordava.

Como pluma, flutuei ao seu peito…

Que fortemente me aconchegava.

Acordada ou dormindo…

Tudo fazia parte deste sonho lindo.

Brechó

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Lá tudo era considerado antigo…

Desgastado… fora de moda.

Lá tudo era barato… mas, quem daria valor às coisas baratas?

Talvez as pessoas simples…

Que adoram quando recebem um sorriso tímido…

Um abraço apertado… ou um beijo roubado…

Que com sorte carregam tudo no coração….

O coração é uma sacola enorme…

A sacola até parece mágica, de tantas coisas que cabem!

A magia está no que você carrega consigo, troca, compartilha…

Mas, hoje no Brechó… que só tinha coisas desgastadas e fora de moda…

Fechou.

E ninguém mais compartilhou o Respeito, a Amizade, a Lealdade e a Educação.

No Brechó, você não encontraria seus sonhos de consumo… mas, sua felicidade!

O que é simplesmente consumido, também tem seu fim…