Arquivo mensal: junho 2012

Oração de Papel

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Num papel qualquer deixei as palavras para trás e fui passear…

Na primeira esquina, deixei meu coração amarrado num poste qualquer…

Se me seguires decida pegá-lo logo ou deixe-o ser encontrado por aí… livre… flutuando pelo ar.

Gosto da brisa que refresca, gosto do fogo que incendeia…

Da luz que clareia… do menino que semeia…

E o que semeias neste peito?

Neste peito tão ressacado como o chão do nordeste…

Tão rarefeito como o ar nas mais altas montanhas…

Tão dolorido quanto o mertiolate de quando éramos crianças…

Das dores, das saudades, da falta de ar, da falta de amar…
Mas, se quiser amarrar meu coração ao seu,

Desapega dessa vida corrida, acalma-te junto ao meu peito…

Entrega-te para a chuva, dança comigo… Deixa te guiar ao infinito.

Joga-me teus beijos, teus olhares, teus desejos…

Finda vida nossa, nessa terra encharcada de gracejos…

Nem luzes, nem cruzes, nem percevejos… Amém.

Nota

No futuro, espero que a corrida da vida seja bem maior do que este caminhar lento e amedrontado do agora.
Talvez o passo arrastado do hoje garanta um futuro corrido, sem monotonias…
As questões da vida são escarradas a cada momento, nos modificando, nos ampliando mentalmente.  

Não quero uma vida de castelos e cavalos brancos… Não!
Eu quero envelhecer numa casa no campo, olhando a vida por uma janela de céu azul…
Pois, nem toda brisa me traz frio, e nem todo sol me traz calor…
Mas, toda chuva que molha meus pés também leva meus pensamentos ruins…
Nem tudo está ou é como vemos, mas, sim como sentimos.
Confusão? Nem sempre.
Certeza? Quase nunca.

A vida é esta roda gigante…
À
s vezes estamos no topo, às vezes na base…
Nunca no centro.
Mesmo porque o centro é inerte…
Queremos sempre estar no giro, no movimento!

 

Roda Gigante