Vai, Bailarina

Vai, Bailarina

Vestida de fada desceu no vale…

Girando entre as árvores

Brincando com os vaga-lumes

Que brilham e iluminam seus passos…

Sempre tão firmes e tão precisos…

Nem a brisa do outono derruba suas pétalas…

Serenamente dança e gira…

E este luar que te contagia…

Menina linda, gira, gira…

Gira mostrando sua face…

Ah, este olhar que mira…

Mira as estrelas… e elas te guiam

Num caminhar tão livre…

Num dançar tão sereno…

Vai, bailarina!

Abraça as árvores em seu rodopio…

Mas, fique longe da encosta…

Do mar revolto, que te quer pra ele…

Não vire sereia…

Fique aqui na floresta

Bailando neste chão em festa!

Sonho

Sonho

Era um sonho…

Você deslizava suavemente seus dedos em meus olhos que sonhavam com você.

Pareciam brilhar, mesmo que fechados…

Senti o leve toque nos meus cílios, e delicadamente eu acordava.

Como pluma, flutuei ao seu peito…

Que fortemente me aconchegava.

Acordada ou dormindo…

Tudo fazia parte deste sonho lindo.

Brechó

Brechó

Lá tudo era considerado antigo…

Desgastado… fora de moda.

Lá tudo era barato… mas, quem daria valor às coisas baratas?

Talvez as pessoas simples…

Que adoram quando recebem um sorriso tímido…

Um abraço apertado… ou um beijo roubado…

Que com sorte carregam tudo no coração….

O coração é uma sacola enorme…

A sacola até parece mágica, de tantas coisas que cabem!

A magia está no que você carrega consigo, troca, compartilha…

Mas, hoje no Brechó… que só tinha coisas desgastadas e fora de moda…

Fechou.

E ninguém mais compartilhou o Respeito, a Amizade, a Lealdade e a Educação.

No Brechó, você não encontraria seus sonhos de consumo… mas, sua felicidade!

O que é simplesmente consumido, também tem seu fim…

Novo Blues

Novo Blues

Como folha de papel branca e vazia… despia-me.
Despia-me das emoções, palavras, imagens…
A cor azul de seus olhos estava presente em cada letra
A cor azul também vinha do céu

Com imagens que lembravam a nossa troca de olhares
A cor azul era minha morada
Triste e talvez tranquila, ao som de um novo blues
Precisava disso… Um novo blues, sem a cor azul
Precisava de outra folha de papel branco…
Precisava de uma nova escrita, uma nova tinta
Que fixa-se à pele feito tatuagem…

Nada monocromático, ou estático.

Tudo em movimento, tudo technocolor.

Infância de Aquarela

Infância de Aquarela

Alto!

Daqui a vejo… linda!

E que me traz lembranças de tempos inocentes…

Inocência perdida.

E hoje a luz que por sua transparência passa, já não me tocam mais…

Não tocam.

Os sinos tocam!!! Recolho-me…

Mas, dela vejo as cores… longe, alto… lembranças, cores!

Culpa do Vento!

Que ao longe leva minha aquarela…

Aquarela que transborda dela…

Toda minha infância em aquarela…

Pipa!